Ninguém vai cuidar da sua vida por você

Saúde espiritual2 meses atrás16 Visualizações

Existe uma ilusão confortável está profundamente enraizada na cultura contemporânea: alguém cuidará de você. Se algo der errado com sua saúde, médicos estarão lá. Hospitais com equipamentos avançados. Planos de saúde cobrindo tratamentos. Uma indústria farmacêutica desenvolvendo medicamentos cada vez melhores. O sistema está estruturado para protegê-lo.

Veja, é uma ilusão perigosa.

Não porque os médicos sejam incompetentes – muitos são excepcionalmente bem treinados. Não porque os hospitais sejam ruins – alguns têm tecnologia de ponta impressionante. Não porque as indústrias sejam malignas – elas operam dentro de incentivos econômicos previsíveis.

É uma ilusão porque o sistema médico moderno é fundamentalmente estruturado para gerenciar a doença estabelecida, não para construir a saúde preventiva. Quando você finalmente chega ao consultório aos quarenta, cinquenta anos com diabetes tipo dois, hipertensão, obesidade, síndrome metabólica, já perdeu décadas de oportunidades de prevenção.

O que sistema pode e não pode fazer

O sistema médico pode prescrever medicamentos que controlam a glicemia. Pode prescrever anti-hipertensivos que reduzem sua pressão arterial. Pode realizar cirurgias bariátricas que limitam a absorção calórica. Pode fazer angioplastias que desobstruem artérias coronárias.

Essas intervenções salvam vidas, são extraordinários avanços tecnológicos, mas são soluções para problemas que frequentemente não precisariam existir.

O que sistema não pode fazer é devolver o tempo perdido. Não pode reverter trinta anos de alimentação inadequada, de sedentarismo, de estresse crônico mal gerenciado, de sono insuficiente, de negligência acumulada.

Medicamentos controlam sintomas, não corrigem as causas. Você toma metformina para diabetes, mas continua resistente à insulina. Toma estatinas para colesterol, mas não modifica a inflamação crônica subjacente. Toma anti-hipertensivos para pressão, mas não corrige a rigidez arterial progressiva.

Os incentivos desalinhados

As indústrias farmacêutica, alimentícia e médica não são vilãs conspiratórias. São organizações operando dentro de incentivos econômicos específicos.

A indústria farmacêutica lucra vendendo medicamentos. Quanto mais pessoas tomando medicamentos cronicamente, maior a receita. Não existe incentivo econômico em prevenir doenças que nunca se desenvolvem porque pessoas mudaram seu estilo de vida. Há, sim, incentivo em desenvolver drogas que controlam doenças crônicas por décadas.

A indústria alimentícia lucra vendendo produtos palatáveis em grande volume. Alimentos ultraprocessados são projetados para maximizar o consumo através de combinações precisas de açúcar, gordura, sal e aditivos. Não há incentivo em promover alimentação simples baseada em comida real que você prepara em casa.

O sistema médico – hospitais, clínicas, laboratórios – lucra tratando doenças. Consultas, exames, procedimentos, internações. Não há modelo de negócio escalável em manter pessoas saudáveis que raramente precisam de intervenções médicas.

Tudo isso não os torna malignos, os torna desalinhados com os nossos interesses de longo prazo.

A ilusão da terceirização

Muitas pessoas acreditam implicitamente que podem terceirizar a responsabilidade pela sua saúde. Trabalham intensamente durante décadas, negligenciam o corpo e a mente, acumulam dinheiro para uma aposentadoria confortável. O plano é usar os recursos financeiros acumulados para “consertar” saúde posteriormente, se necessário, através de acesso a melhores médicos, hospitais e tratamentos.

Mas a saúde não funciona assim. Não é um recurso que você pode comprar retroativamente. É, sim, o resultado acumulado de milhares de escolhas diárias ao longo de décadas.

Quando você finalmente tem os recursos financeiros para “investir em saúde” – aos sessenta ou sessenta e cinco anos – grande parte do dano é irreversível. Você pode comprar medicamentos que controlam sintomas, pode pagar cirurgias que corrigem algumas consequências, mas não pode comprar de volta os neurônios que morreram, as artérias que calcificaram, as cartilagens que degeneraram, a massa muscular que atrofiou.

E, ironicamente, grande parte da reserva financeira acumulada será agora consumida, tentando gerenciar as doenças crônicas que poderiam ter sido prevenidas.

A responsabilidade que não se delega

Durante centenas de milhares de anos de evolução humana, a saúde era responsabilidade individual e tribal direta. Não havia sistema externo para terceirizar cuidados. Você se movia diariamente porque a sobrevivência exigia movimento contínuo. Comia alimentos reais porque não existiam alternativas processadas. Dormia quando escurecia porque não havia iluminação artificial. Gerenciava o estresse através de conexões sociais diretas porque não havia farmacologia ansiolítica.

A saúde era o resultado inevitável de viver dentro de constrangimentos ambientais que moldaram toda a fisiologia humana.

O ambiente moderno removeu esses constrangimentos. Você pode sobreviver confortavelmente sem movimento, totalmente sedentário. Pode consumir calorias hiper palatáveis constantemente. Pode permanecer acordado sob luz artificial indefinidamente. Pode viver socialmente isolado.

Mas seu corpo continua operando com a fisiologia que evoluiu sob aqueles constrangimentos ancestrais. Quando você vive desalinhado com essa fisiologia por décadas, uma ou várias disfunções acumulam-se progressivamente.

O sistema médico pode gerenciar os sintomas dessas disfunções, mas não pode restaurar o alinhamento fundamental. Apenas você pode fazer isso, através de escolhas diárias consistentes ao longo dos anos.

O que isso significa praticamente

Tudo isso não significa rejeitar a medicina moderna. Significa compreender as limitações dela e reconhecer que a construção de saúde é responsabilidade sua, que precede a necessidade de medicina.

Significa entender que um médico excepcional, um hospital sofisticado, um plano de saúde abrangente, são todos recursos valiosos para gerenciar problemas agudos e emergências, mas não são substitutos para o cuidado preventivo, diário, que apenas você pode implementar.

Significa reconhecer que ninguém – médico, nutricionista, personal trainer, terapeuta – pode cuidar de você vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Eles podem orientar, educar, motivar temporariamente. Mas a execução consistente de práticas saudáveis ao longo das décadas depende exclusivamente de você.

Significa aceitar que suas suas escolhas diárias sobre alimentação, movimento, sono, gerenciamento de estresse, são mais determinantes para sua saúde futura que qualquer outra intervenção médica que você receberá posteriormente.

A escolha consciente

Você pode continuar operando sob ilusão de que o sistema cuidará de você. Pode trabalhar intensamente, negligenciar sua saúde, acumular recursos, planejar “consertar” tudo depois. Algumas pessoas até têm sorte – uma genética favorável, ausência de eventos adversos – e saem relativamente ilesas dessa estratégia.

Mas a maioria não tem. A maioria chega aos cinquenta, sessenta anos, com uma lista de medicamentos crônicos, procedimentos cirúrgicos, limitações físicas ou declínio cognitivo. E descobre tardiamente que o dinheiro acumulado compra o gerenciamento da doença, não a restauração de saúde.

A alternativa é reconhecer agora – independente da idade que você tem – que sua saúde é responsabilidade não delegável. Que a construção da saúde acontece através de suas escolhas diárias consistentes. Que o sistema médico é um recurso valioso para emergências, mas não substitui prevenção.

A melhor alternativa é começar, hoje, a fazer escolhas alinhadas com essa realidade.

Cuide da sua saúde espiritual. Porque ninguém fará isso por você.

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