A diferença entre medicina e saúde (que ninguém te conta)

Saúde espiritual2 semanas atrás6 Visualizações

Existe uma confusão profunda e raramente examinada na compreensão popular sobre o sistema médico: a maioria das pessoas acredita implicitamente que a medicina existe para criar e manter saúde. Essa crença é compreensível, mas fundamentalmente incorreta.

O sistema médico moderno é extraordinariamente competente em diagnosticar e gerenciar doenças estabelecidas. Quando você sofre um trauma agudo – acidente, fratura, hemorragia – a medicina salva sua vida através de cirurgia de emergência. Quando desenvolve infecção bacteriana, antibióticos eliminam o patógeno. Quando tem um tumor maligno, a oncologia oferece um arsenal de intervenções.

Esses são triunfos impressionantes de ciência, tecnologia e dedicação profissional. A medicina salvou bilhões de vidas. Estendeu a expectativa de vida substancialmente. Reduziu o sofrimento humano enormemente.

Mas ela não foi projetada para construir saúde. Foi projetada para tratar doença. E essa distinção é crucial.

Como a medicina aborda doenças crônicas

Quando você chega ao consultório médico aos quarenta, cinquenta anos – depois de décadas de negligência acumulada – com uma constelação típica de condições crônicas (diabetes tipo dois, hipertensão, obesidade, dislipidemia), o sistema médico oferece protocolos bem estabelecidos.

O diabético recebe metformina, possivelmente sulfoniluréias ou insulina se o caso for mais avançado. O hipertenso recebe inibidores da ECA ou bloqueadores dos canais de cálcio. O dislipidêmico recebe estatinas. O obeso recebe orientação para “comer menos e se exercitar mais”, possivelmente referência para nutricionista, se tiver plano de saúde abrangente. Ou as notáveis e ‘milagrosas’ canetas emagrecedoras.

Você sai da consulta com prescrições. Compra medicamentos na farmácia. Toma diariamente conforme instruído. Retorna para consultas de acompanhamento regulares. Enfim, os exames laboratoriais mostram que glicemia está controlada. Pressão arterial normalizou. Colesterol diminuiu.

Do ponto de vista médico, o tratamento é um sucesso. Os parâmetros bioquímicos foram normalizados, o risco de eventos cardiovasculares agudos foi reduzido.

Mas você continua diabético. Continua hipertenso. Continua obeso. Não está curado. Está gerenciado. Percebe?

Gerenciamento não é cura

Medicamentos controlam sintomas e reduzem risco de complicações agudas, mas não corrigem as causas subjacentes das condições crônicas.

Metformina melhora sensibilidade à insulina e reduz a produção hepática de glicose, mas não reverte a resistência insulínica fundamental causada por excesso de gordura visceral, inflamação crônica, disfunção mitocondrial e excesso de carboidratos em sua dieta. Você permanece metabolicamente disfuncional, apenas com glicemia artificialmente controlada.

Anti-hipertensivos reduzem a pressão arterial através de vários mecanismos – dilatação vascular, redução de volume sanguíneo, bloqueio de vias neuro-hormonais, mas não corrigem a rigidez arterial, a disfunção endotelial, a inflamação vascular, que causaram a hipertensão. Os vasos permanecem danificados, apenas com a pressão farmacologicamente reduzida.

A estatinas bloqueiam a enzima que produz o colesterol no fígado. O colesterol sanguíneo diminui, mas inflamação vascular subjacente – driver real de aterosclerose – permanece, as placas continuam formando-se, apenas mais lentamente.

Você está melhor tomando medicamentos do que não tomando. O risco de infarto, AVC, insuficiência renal é genuinamente reduzido, mas não recuperou a saúde, apenas adquiriu dependência farmacológica crônica, que gerencia as consequências de um estilo de vida que permanece inalterado.

Por que o sistema funciona assim

O sistema médico não foi projetado com malícia. Foi projetado para um contexto histórico onde doenças infecciosas agudas eram as principais causas de mortalidade. Identificar patógeno, desenvolver droga que o elimina, prescrever universalmente. Esse modelo funcionou extraordinariamente bem para tuberculose, pneumonia bacteriana, doenças tropicais.

Já as doenças crônicas metabólicas e degenerativas são um fenômeno relativamente recente em escala populacional. Diabetes tipo dois era raro até meados do século vinte. Obesidade em massa é fenômeno das últimas cinco décadas. Hipertensão afetando metade da população adulta é pelo desenvolvimento moderno.

O sistema médico aplicou aqui o mesmo modelo que funcionou para doenças infecciosas: identificar doença, desenvolver droga, prescrever. Mas as doenças crônicas não funcionam como infecções, não são causadas por patógeno único que pode ser eliminado. São resultado de décadas de desalinhamento entre biologia humana e ambiente moderno!

Tentar tratá-las com um modelo desenvolvido para infecções agudas produz gerenciamento, não cura. E gerenciamento crônico é exatamente o que indústria farmacêutica prefere – pacientes tomando medicamentos indefinidamente são modelo de negócio ideal.

Novamente, isso não os torna vilões. Torna-os participantes de sistema com incentivos econômicos específicos que não estão alinhados com a reversão de condições crônicas.

O que é saúde genuína

Saúde não é ausência de sintomas agudos enquanto se toma medicamentos. Não é manter glicemia controlada com metformina. Não é manter pressão normal com anti-hipertensivos.

Saúde é uma função fisiológica otimizada. É ter alta sensibilidade à insulina, que permite metabolizar glicose eficientemente sem medicamentos. É ter sistema cardiovascular que mantém a pressão adequada sem farmacologia. É uma composição corporal que minimiza a gordura visceral inflamatória. É manter sono reparador que restaura a função cerebral. É a capacidade de gerenciar estresse sem ansiolíticos.

Saúde é construída através de alinhamento entre como você vive e como seu corpo evoluiu para funcionar. É necessário movimento, atividade física, regular porque humanos são animais que evoluíram movendo-se constantemente. A alimentação tem de ser baseada em comida real, porque a fisiologia digestiva evoluiu processando plantas e animais, não produtos ultraprocessados. Sono adequado é fundamental, porque o cérebro requer oito horas de descanso para sua manutenção. Conexões sociais também, são muito significativas, porque os humanos são primatas ultrassociais.

Isso não pode ser prescrito em receituário. Não pode ser comprado na farmácia. Não pode ser delegado a sistema médico.

Quando medicina é essencial

Essa análise não sugere que a medicina seja inútil ou que você deveria rejeitar tratamento médico. A medicina é um recurso extraordinariamente valioso em contextos apropriados.

Se você sofre acidente e tem hemorragia interna, precisa de cirurgião emergencial, não de mudança de estilo de vida. Se desenvolve pneumonia bacteriana severa, precisa de antibióticos, não de meditação. Se tem câncer, precisa de oncologia baseada em evidências, não de dieta miraculosa.

A medicina salva vidas em emergências, trata infecções agudas, gerencia condições que já estão estabelecidas. É parte essencial de sociedade funcional. Mas não substitui a construção preventiva de saúde. E, quando condições crônicas já estão estabelecidas, medicamentos deveriam ser um complemento temporário enquanto você corrige as causas subjacentes através de mudanças de estilo de vida, entende?

A responsabilidade dividida

O papel do sistema médico é diagnosticar precisamente, tratar emergências efetivamente, prescrever medicamentos quando necessário, orientar sobre opções terapêuticas baseadas em evidências.

Já o SEU papel é construir sua saúde preventivamente, através de escolhas diárias consistentes. Mover-se regularmente. Alimentar-se adequadamente. Dormir suficientemente. Gerenciar estresse. Cultivar relacionamentos. Evitar toxinas quando possível.

Quando você falha em sua parte por décadas, o sistema médico pode oferecer gerenciamento, mas não pode restaurar a saúde que você nunca construiu ou reconstruir a saúde que você degradou sistematicamente.

A clareza necessária

Compreender a diferença entre medicina e saúde não é criticar os profissionais médicos dedicados ou negar o valor de intervenções médicas. É reconhecer a realidade: o sistema médico trata doença excepcionalmente bem, mas não foi projetado para construir saúde.

Saúde é responsabilidade que precede a medicina e, idealmente, a torna menos necessária. Quanto melhor você constrói saúde preventivamente, menos precisará de gerenciamento médico posteriormente.

A medicina deveria ser uma rede de segurança para emergências e backup para quando a prevenção falhou. Não deveria ser o sistema primário que você usa cronicamente para compensar uma negligência acumulada.

Cuide da sua saúde espiritual. Porque ninguém fará isso por você.

Postagem anterior

Próxima publicação

Carregando a próxima publicação...
Siga-nos
Procurar
Que tipo de saúde?
Carregando

A iniciar sessão 3 segundos...

Cadastro em 3 segundos...