Meu pai morreu aos setenta e dois anos. Não foi idade avançada - era relativamente jovem para padrões contemporâneos. A causa imediata foi complicação por medicamentos para dor e anti-inflamatórios consumidos durante anos para gerenciar artrose. Artrose é degeneração progressiva de cartilagens que revestem articulações. Nos últimos cinco anos de vida, ele conviveu com dores lancinantes que só diminuíam com altas doses de analgésicos. Mas, trinta anos antes, quando começou, era apenas um incômodo leve. O incômodo tornou-se diário. Depois desconforto. Depois mal-estar. Depois dores controláveis. Finalmente, dores permanentes insuportáveis. Meu pai nunca teve preocupação objetiva com saúde. Fumou trinta e cinco anos. Não praticava atividade física. Fazia dietas ocasionais que não sustentava. Nunca olhou para si mesmo de forma clara e real. Eu aprendi muito com isso.



